Livro: Julho transformador

Cupido - Contos - Amor

Cupido - Metro



Deixe-me apresentar, sou o cupido, responsável pela maioria dos relacionamentos, trabalho nada fácil, numa outra oportunidade dar-lhes-ei os detalhes.
Manha ensolarada numa estação de metro quando uma jovem olhou para frente, viu um belo rapaz sentado num banco próximo, escrevia algo no caderno, com um leve cutucão fiz o então Romeu olhar, parou de escreve e ainda a olhando começou a escrever.
— Como é belo... — sussurrou. — acorda sua burra, deve ter namorada...
Fiz com que o jovem deixasse os dedos visíveis para ver a ausência de anéis, alguém assobiou atrás dele e agora a cabisbaixa garota o olhou.
— Nada de anel... — ele sorriu, ela descrente olhou para trás para ver se havia outra pessoa.
Como queria ter gritado: “É pra você que ele está sorrindo”, mas existem algumas regras no código de ética dos cupidos, nisso uma mulher sentou ao lado dele.
— Sabia que tinha namorada... — os olhos marejados, o coração apertado.
Às vezes as pessoas imaginam que nada dará certo e fica quase impossível convencê-las do contrário, nem perceberá a aliança no dedo da mulher, sentiu a dor da desilusão que criara do que o amor que ali existia. Deixou a bolsa cair, mas que depressa pegou, viu a mulher sorrir. O jovem estava com o mesmo sorriso nos lábios de quando a viu, ela ficou envergonhada achando que ambos riam dela, quando na verdade a mulher sorria ao lembrar que sua filhinha derrubará a bolsa dela no dia anterior e usando o batom pintou quase todo o rosto, quando o do Romeu era o sorriso bobo que só os apaixonados sabem. Ela nem pensou e saiu correndo, ajeitando algo, entrou no metro que saia, ele em desespero correu, nisso a porta foi fechando, e ele só conseguiu esticar a folha que quase passou totalmente, ficando preso somente um pedaço, o jovem duelo contra a porta, tentando chama-la, mas não perceberá que ela ouvia musica no fone de ouvido.
Ficou ali parado vendo o metro partir, depois retornou e pegando suas coisas saiu.


Aposto que se as pessoas passassem um dia trabalhando como cupido teria mais respeito pela classe, não ficariam dizendo como já ouvi muitas vezes, “O cupido é um velho, bêbado, com uma péssima mira”... fiz um senhor ficar curioso a respeito da folha. Que a retirou, olhou a folha e depois para a menina que estava em pé de costa para a porta, e a cutucou.
— Oi! — respondeu tirando o fone.
— Acho que isso é seu! — estendeu-lhe a folha.
— Certeza que não é meu se... — ficou pasma ao olhar o desenho dela na folha. E já apertou o botão para descer, voltando não encontrou o Romeu. E olhando um pouco a cima percebera agora os escritos lendo-os. Lagrimas caíram de seu rosto, respingando na folha.

 

Ela exclamou:
— Como fui tola... — sussurrou ao perceber a aliança na mão da mulher.
Apoiou o cotovelo no joelho segurou o rosto na palma da mão tentando conter as lagrimas que saia, a folha caiu.
— A sua folha caiu... — alguém lhe estendeu a mesma.
— Obrigada! — retirou a mão para pegar, e percebeu algo diferente em cima dela... — Uma rosa! — a donzela levantou lentamente o olhar, sua suspeita se confirmou. — Pensei que você tivesse pegado outro metro...
— E desistir do que senti por você... não... apenas fui à outra plataforma compra esta rosa, não sei quando você voltaria, mas sim esperaria por um longo tempo... e se necessário retornaria amanhã, e depois, por vários dias...
— Mas nem me conhece...
— Esse é o motivo, nem a conhecendo me apaixonei, imagine depois que a conhecer. Qual o seu nome?
— Isabele!
— Prazer Jonathan! — ele pegou na mão dela e deu um beijo, e saíram de mãos dadas.

Serviço finalizado. Procurarei outro trabalho. Até mais, e fique atento o próximo pode ser você.


                        


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